(Foto: unsplash.com)
Amar a si mesmo é o único amor que resiste a tudo e é para sempre.
Mas afinal, o que é amar a si mesmo, e como reconhecer que estamos realmente a amar-nos? Isso pode parecer fácil, mas não é!
Muitos dizem “Eu amo-me”, mas na verdade as atitudes que têm para consigo e para com os outros estão muito longe de ser a manifestação de um amor próprio.
Antes de amar alguém, deveríamos ter certeza de que nos amamos para que este amor ao outro não se torne uma dependência, pela carência que temos de nós mesmos.
Devemos observar como nos tratamos em tudo, desde o simples cuidado pessoal, as palavras que usamos para definir-nos, os sentimentos que demonstramos a nós, os relacionamentos que nos permitimos ter, mesmo que sejam os familiares.
Se não sentimos amor pleno por nós mesmos, amar o outro jamais será saudável!
Este amor é uma consciência de Si como ser único, manifestado em atitudes de respeito, atenção e cuidados com o que dizemos e fazemos, reflectindo no mal ou bem que tais acções podem causar em nós, em primeiro lugar, e ao próximo, uma vez que o que fazemos aos outros volta a nós, quer aceitemos ou não, no seu tempo.
Quando começamos a amar-nos, este é o momento em que aceitamo-nos tal como somos, fisica e emocionalmente, com autocrítica em relação aos nossos defeitos, entendendo as manifestações dos nossos sentimentos, sendo pacientes connosco, respeitando os nossos limites e tempo de mudança, mas com a consciência de que não somos perfeitos e que podemos e devemos melhorar constantemente, em tudo, para uma vida melhor. E isto consequentemente se reflectirá nos outros.
É ter auto-estima diante de qualquer situação, por mais complexa que seja. Confiarmos em nós com serenidade, sem repassar aos outros as culpas pelas nossas falhas.
Amar a si mesmo é diferente de ser egoísta!
O egoísta é alguém que age com base no “EGO”, que é uma percepção errónea de sentimentos e pensamentos que permitimos que se manifestem, levando em consideração apenas os nossos interesses.
Não entenda “amar a si mesmo” como ter apenas cuidados com o corpo, ou seja alimentar-se adequadamente, praticar desporto ou ter cuidados com a aparência em geral.
Não é difícil encontrar pessoas com todos estes cuidados em ordem afirmando amar-se, mas com baixa auto-estima. Estes cuidados fazem parte do amor a si, mas não é só neste aspecto que se completa o amor por si mesmo.
Amar a si mesmo é um estado pleno de ser e não de ter. É compreender que nem sempre os nossos desejos serão realizados, mas nem por isso nos sentiremos inferiores a nada.
Sabemos entender diante das situações que tudo segue um tempo que não é o nosso e para tudo há um porquê. Não nos punimos com revoltas, mágoas, abandonos. Seguimos confiantes, ainda que sintamos tristeza por uma situação, pois já estamos no entendimento de que tudo passa. E estar em paz connosco é uma dádiva!
Amarmo-nos é estar atentos para não permitir que coisas ou pessoas tirem a nossa paz, mesmo que nos ofendam.
Instalamos um filtro em nós por entender que somos únicos e responsáveis pelo nosso bem-estar físico, moral e espiritual.
Amar a si mesmo é não julgar a si e aos outros. É sempre ter o cuidado de dizer e fazer tudo que for possível para ficar bem, em paz. É gostar da sua companhia e não depender de alguém para sentir-se bem, alegre, feliz.
Estar com amigos é um prazer e não uma fuga. Ter um companheiro pelo prazer da companhia e não por medo de ficar só.
Quando nos amamos, estamos sempre atentos às mudanças, especialmente internas, para cada vez mais atingirmos a paz plena, o que não significa a ausência de situações a serem resolvidas. Por nos amarmos, encontramos a serenidade para lidar com tudo sem nos acomodarmos, respeitando os nossos próprios limites e o do tempo sobre o qual não temos nenhum controle.
Amar a nós mesmos é olhar para a vida com confiança, coragem e responsabilidade. Não só connosco, mas com o meio em que vivemos.
Quando realmente nos amamos, saímos da ilusão de que tudo e todos têm de ser certos a nosso modo e aprendemos a preservar-nos.
Nisso surge a certeza de que se estamos bem em nós, e agindo com consciência connosco e com o mundo.
Tudo acontecerá em harmonia com este amor que emanamos e com calma observamos os sinais a seguir, gostando de ser um aprendizes na vida.
E dispomo-nos a mudar quantas vezes forem necessárias, para atingir equilíbrio, sabedoria e paz mesmo diante dos desafios. E isso é possível quando começamos a observar-nos em silêncio.
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